RELEVO: O relevo apresenta-se pouco
acidentado, ora se constituindo cristais, ora superfícies tabulares com
solos sob predominância do podzólico vermelho amarelo entrófico, com zonas
de solo arenoso e manchas de terra roxa.
CLIMA: O clima é equatorial com variação
para o tropical quente e úmido. Tem
como temperaturas: 40º para as máximas e 18º para as mínimas e a umidade
relativa do ar em torno de 80 a 84%. O índice pluviométrico também é elevado,
com variações entre 2.000 a 2.250 mm/ano, com maior incidência das chuvas
nos meses de janeiro a março.
VEGETAÇÃO: A vegetação dominante é a
Floresta Equatorial Amazônica com presenças esparsas de campos e cerrados.
SOLO: É formado por terras de média
e baixa fertilidade, de textura média a grossa, com presença de cascalho.
A predominância é do tipo Podzólico vermelho amarelo entrófico, com zonas
de solo arenoso e manchas de terra roxa.
FAUNA: É rica em mamíferos de médio
porte: anta, veado, paca, cutia, sendo que a maioria se encontra em risco
de extinção.
FLORA: É rica em madeira de lei, mas
devido ao grande desmatamento nos anos anteriores, diminuiu as variedades
de madeira como: mogno, ipê, jatobá, peroba, cerejeira, etc.
Quem foi Rolim de Moura?
No dia 05 de agosto de 1746, em Lisboa, D. João
V assinou uma alvará mandando fundar uma cidade no distrito das
Minas de Mato Grosso, na época, composto por três arraiais
principais: São Francisco Xavier, Santana e Pilar. Este já
era o sinal que o governo português guardava intenções
em dividir a Capitania de São Paulo, a quem estas minas pertenciam,
pois a cidade desejada pela Coroa, seria a capital da futura Capitania
do Mato Grosso. O alvará era destinado a D. Luiz de Mascarenhas,
governador da Capitania de São Paulo, que noticiava as vantagens
oferecidas para os que lá fossem residir.
D. Luiz de Mascarenhas, contudo, não tomou as
providências necessárias para fundar a cidade. A Coroa Portuguesa,
preocupada em estabelecer o domínio sobre aquelas terras, onde
mantinha relacionamento conflituoso com a Espanha, necessitava de uma
pessoa com habilidades política e diplomática para governar a nova
capitania, que fazia fronteira com a América Espanhola. Nomeou,
então, em Lisboa, D. Antônio Rolim de Moura, através
de patente de 25 de Setembro de 1748, para ser o primeiro governador da
Capitania de Mato Grosso.
Na época, Rolim de Moura tinha trinta e nove anos
de idade e, sendo membro da nobreza do Reino, quatro meses após
a nomeação para governar a Capitania, recebeu da Rainha,
em Lisboa, a patente de Capitão General. Nas "instruçães"
dadas pelo governo português, constava que a Capital a ser construída
por Rolim de Moura, na Capitania do Mato Grosso, deveria ser localizada
no extremo das minas, de forma a assegurar o domínio português
sobre aquelas terras, pois até aquele momento, as Coroas Portuguesa
e Espanhola ainda não haviam estabelecido oficialmente suas fronteiras.
No ano de 1750, o mesmo em que foi assinado o Tratado
de Madrid, obra diplomática que delimitou as fronteiras portuguesas
e espanholas, Rolim de Moura sai de Portugal com destino ao Brasil. Já
em 21 de maio de 1750, deixa São Paulo com destino às minas
do Mato Grosso, acompanhada do Juiz de Fora da futura vila, o Dr. Teotônio
da Silva Gusmão a quem, futuramente, em homenagem, deu-se o nome
das Cachoeiras do Teotônio, em Porto Velho. Em 12 de janeiro de
1751, chegam a Cuibá e, já no dia 17, toma posse como Governador
da Capitania do Mato Grosso, na Câmara Municipal de Cuiabá,
cujos membros eram eleitos pelo povo. Cuiabá, a parir desse ato,
passa a ser a capital provisória da Capitania do Mato Grosso, onde
permaneceu por apenas três meses.
A primeira preocupação do novo governador,
era de escolher o local ideal, dentro das exigências da Coroa, para
construir a nova capital da Capitania. Rolim de Moura desce, por terra,
de Cuiabá ao Rio Guaporé, onde pega uma embarcação,
vindo a encontrar Dr. Teotônio, que havia saído anteriormente,
no porto de Rio Guaporé denominado Pouso Alegre. Foi exatamente
ali, depois de exaustiva escolha, que D. Antônio Rolim de Moura
resolveu fundar a nova capital.
Na tarde de 19 de março de 1752, dia de São
José, distante um quilômetro da margem direita do Rio Guaporé,
no lugar onde seria a praça da cidade, sob uma coberta de palha,
o Capitão General Rolim de Moura, governador da recém criada Capitania
do Mato Grosso, mais o Juiz de Fora Dr. Teotônio da Silva Gusmão
e pessoas que vieram dos arraiais mineiros vizinhos, realizam a solenidade
de fundação da cidade. Declarou, então, o governador,
que a cidade seria denominada Vila Bela da Santíssima Trindade.
"Naquela noite, o capitão general, governador Antõnio
Rolim de Moura foi dormir, mais uma vez, no rancho de pau-a-pique coberto
de palha" (in Nas Selvas
Amazônicas. Ferreira, Manoel Rodrigues. Editora Biblos Ltda. 1961).
Nem só de capital viveu Rolim de Moura, pois em
seu governo abriu a estrada de Cuiabá para Vila Boa, capital da
Capitania de Goiás, ligando assim, Vila Bela por via terrestre
à Capital de Goiás, a Salvador na Bahia, ao Rio de Janeiro
e a São Paulo. Por diversas vezes desceu o Rio Guaporé para
dar combate aos espanhóis invasores, além de ter promovido
o descobrimento de novas minas de ouro, entre elas, a de Urucumacuan,
entre as nascentes dos Rios Jamari, Galera e Camararé. Essa mina
de ouro, com o tempo, tornou-se lendária.
Vila Boa, capital de Goiás, Vila Bela, capital
de Mato Grosso e a capital da Capitania do Rio Negro, hoje Estado do Amazonas,
já no século 18, foram todas construídas sob os mais
modernos requisitos urbanísticos da época. Como podemos
ver, não foi Brasília, como muitos falam, a primeira capital
planejada no Brasil.
Bem, após governar a Capitania do Mato Grosso
por treze anos, enfrentando uma série de problemas, entre eles a sezão,
doença perigosa, que chegou inclusive a acamar o próprio governador,
D. Antônio Rolim de Moura recebeu do rei a Comenda de Cristo, o
título de Conde de Azambuja e, finalmente, chegou a Vice-Rei do
Estado do Brasil.
Jorge Batista dos Santos
Bacharel em Direito e Jornalista